| CANTO DE LOUVOR OU AÇÃO DE GRAÇAS |
A ação de graças, após a comunhão, apresenta alguns inconvenientes. A missa inteira é ação de graças (Veja também a ação de graças nos prefácios); é Eucaristia, e a comunhão não pode ser isolada da missa. Far-se-ia então a ação de graças da ação de graças. Ora deve-se também observar o silêncio sagrado, que seria o momento ideal para interiorizar toda a experiência vivida na celebração. Momento para a assembleia reter e não perder o que ela celebrou. Sendo assim, o silêncio aqui é mais conveniente do que o canto. Ele não seria também o último canto da Missa. Aqui o canto não tem importância alguma, sendo mais recomendável omiti-lo. Mas, se há o desejo de cantar, que não seja uma duplicata do canto de comunhão, e também totalmente fora do contexto da celebração. Os cânticos evangélicos de Zacarias para as manhãs e Magnificat para a tarde ou à noite com motivos próprios iriam bem aqui.
O ENVIO: A bênção e a despedida são o envio para a missão, que torna mais sólida a celebração se cantado, “elas tem um força, um ponto final. Teriam o caráter de um acorde final, que poderia ser aqui acompanhada por várias vozes.”
| CANTAR AS DIVERSAS FÓRMULAS DE BÊNÇÃO CONTIDAS NO MISSAL (SÃO VÁLIDAS AS SUGESTÕES DOS HINÁRIOS DO OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES) E O ENVIO TORNA MAIS EXPRESSIVO ESTE RITO, FAZENDO-O GANHAR FORÇA! |
| ENVIO |
O QUE É: Rito de saída, quando o sacerdote com os ajudantes dissolve a assembleia, abençoa e envia em missão (após termos participado da Ceia do Senhor e da reunião fraterna, “não podemos deixar de falar do que ouvimos e vimos”, pois Cristo nos envia ao mundo, ao cotidiano, ao serviço de nossos irmãos, para sermos fermento, sal e luz).
FUNÇÃO: Acompanhar a saída, pois uma saída em silêncio e um final podem ser frios sem o canto (a não ser em certas ocasiões em que a saída em silêncio pode ter mais sentido). O envio serve para criar uma atmosfera de alegria na saída. Fazer ouvir o último eco da Palavra de Deus celebrada.
CONCLUINDO
Em Liturgia do coração, Ione Buyst, diz que o “o canto, anima, desperta, dá vida. Além de poder unir as pessoas: juntando a nossa voz às vozes dos irmãos e irmãs, ao ritmo dos instrumentos, vai-se criando em nós uma abertura e uma consciência maior de pertencermos uns aos outros. Também a nossa relação com o Senhor é facilitada pelo canto, nossa oração se torna mais profunda e fervorosa”.
Por que será que isto acontece?
A carta aos Efésios nos oferece uma pista valiosa, associando “canto” com “Espírito Santo”: “não se embriaguem com vinho que leva a libertinagem, mas busquem a plenitude do Espírito. Juntos recitem salmos, hinos e cânticos inspirados, cantando e louvando ao Senhor de todo o coração” (5, 18-20).
Espírito tem a ver com sopro, vento. Sopro e vento fazem vibrar, produzem vibrações. Há quem afirme que exista um som primordial, uma vibração universal, superfísica, que é a causa e a essência de toda a matéria e de todo som. Sintonizar, entrar em “sintonia” com este som primordial (inclusive através da boa música) levaria pessoa e o mundo à harmonia. Estar fora desta sinfonia (por exemplo, através de uma música desequilibrante, levaria tanto o indivíduo como a sociedade ao caos. (David TAME)
Poderíamos talvez afirmar que o Espírito suscita em nós o “som”, a “vibração” correta que nos faz sentir e pensar em uníssono com o próprio Deus, criador de todas as coisas. Suscita em nós uma experiência do mistério de Deus. Suscita em nós o amor. “Cantar é próprio de quem ama”, dizia Santo Agostinho. “É bem verdade que o cristão deve deixar-se comover, não pela modulação da voz, mas pelas palavras divinas, no entanto, não sei como é que acontece que é a modulação do canto que faz nascer a compunção do coração” (Smararadge Abade de Saint-Mihiel). Nas duas atitudes acontece a ação do Espírito em nós. Primeiro, não podemos encarar a música litúrgica como “divertimento” para tornar a liturgia mais leve, mais agradável, mais movimentada. Devemos cantar e tocar “no Espírito”, abrindo-nos à ação de Deus que vem nos transformar também através do canto, fazendo de nós adoradores do Pai em Espírito e verdade. Em outras palavras, é preciso levar a sério a força sacramental da música na liturgia e fazer do canto um ato de fé, um gesto de amor. Por isso, não podemos cantar de maneira rotineira, inconsciente, superficial.
Depois, não vale escolher qualquer música para cantar na liturgia. A letra e as músicas deverão ter sido feitas “no Espírito” e levar em conta a função ritual que este canto terá em determinada celebração. Deverá ser um canto cujo texto, ritmo e melodia estejam prenhes dos mistérios de Deus celebrados na liturgia e vivenciados no dia-a-dia da nossa caminhada histórica.
Sejamos críticos ao fazermos a nossa escolha!
- FONTES DE CONSULTAS UTILIZADAS:
- TEXTO ELABORADO PELA LINHA 4(CNBB), PARA SEMINÁRIO NACIONAL DE PASTORAL LITÚRGICA;
- CANTO E MÚSICA NO CULTO CRISTÃO (GELINEAU);
- DICIONÁRIO DE LITURGIA;
- CERIMONIAL DOS BISPOS – CERIMONIAL DA IGREJA;
- ESTUDOS SOBRE OS CANTOS DA MISSA – N.12;
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA;
- ANIMAÇÃO DA VIDA LITÚRGICA NO BRASIL – DOC 43 – CNBB;
- POR UM NOVO IMPULSO À VIDA LITÚRGICA – LINHA 4;
- CELEBRAR O DEUS DA VIDA – MARCELO DE BARROS;
- VIVER EM CRISTO – ESPIRITUALIDADE DO ANO LITÚRGICO – FREI ALBERTO BECKÄUSER, O. F. M.;
- HINÁRIO LITÚRGICO CNBB – 3º FASCÍCULO.
- SIGLAS
- CNBB, DOC 43 – ANIMAÇÃO DA VIDA LITÚRGICA
- SC – SACROSANCTUM CONCILIUM
- IG – INSTRUÇÕES GERAIS SOBRE O MISSAL ROMANO
- MS – MUSICAM SACRUM
- NOM – NOVO ORDINÁRIO DA MISSA DO MISSAL ROMANO
- CM – A CELEBRAÇÃO DA MISSA
Faço votos que este trabalho tenha sido útil às pessoas e que cada um que tenha entrado em contato com ele pela leitura possa ter tirado bom proveito no conhecimento do que cantamos e por que cantamos nas missas… Se foi útil para as comunidades ele chegou ao seu destino.
Se ele levou a reflexão os seus leitores, ótimo.
O importante é que tomemos consciência do que, por que e por quem cantamos em nossas missas, e que as nossas ritualidades cheguem a ser profunda oração de comunhão e vida.
Nos próximos números leia ASSISTIR A MISSA NÃO – PARTICIPAR SIM!


